Campanha de prevenção mobiliza mais de 1,2 mil missionários da JMN e amplia espaço para escuta, acompanhamento emocional e busca por ajuda profissional
A rotina missionária costuma ser associada ao cuidado com o próximo, mas quem está à frente dessa tarefa também precisa de atenção. Para o pastor Sandro Pereira, gestor da área de Cuidado Integral do Missionário da Junta de Missões Nacionais (JMN), ligada à Convenção Batista Brasileira (CBB), o Setembro Amarelo reforça a necessidade de olhar para a saúde emocional de pastores, missionários e líderes.
“Setembro Amarelo nos lembra de uma verdade importante: cuidar da saúde emocional também faz parte da missão”, afirma.
Segundo o pastor, pessoas que dedicam a vida ao serviço cristão não estão imunes ao sofrimento emocional. Solidão, sobrecarga, esgotamento e períodos de crise podem fazer parte da trajetória ministerial e, por isso, é necessário criar uma cultura de cuidado dentro da própria igreja.
Com esse objetivo, a JMN iniciou uma campanha de prevenção voltada aos missionários que atuam em diferentes regiões do país. A primeira mensagem foi enviada na quinta-feira (10) para mais de 1,2 mil missionários. A iniciativa já começou a gerar procura por acompanhamento.
“Já tive a procura de alguns irmãos. Comecei uma campanha de prevenção com nossos missionários em todo o Brasil, agendando conversas e solicitando terapia”, relata Sandro.
A proposta é estimular os missionários a falarem sobre aquilo que estão enfrentando antes que o sofrimento se agrave. Para o pastor, a prevenção passa pela criação de ambientes nos quais seja possível falar sem medo de julgamentos.
“A prevenção começa quando criamos espaços seguros para conversar, ouvimos com empatia e incentivamos a busca por ajuda quando necessário”, explica Sandro.
Nesse processo, a escuta tem papel fundamental. Mais do que oferecer respostas imediatas, familiares, amigos e líderes podem contribuir simplesmente estando presentes e demonstrando disposição para ouvir.
“A escuta acolhedora pode devolver a esperança. Ouça mais, julgue menos. Caminhe junto. Você não precisa ter todas as ferramentas. Sua presença pode fazer a diferença”, orienta Sandro.
O pastor também ressalta que procurar auxílio especializado não representa falta de fé. Ao contrário, a espiritualidade e os recursos oferecidos pelos profissionais de saúde podem caminhar juntos no cuidado integral.
“Procure ajuda. Deus também cuida por intermédio de profissionais da saúde. Fé e tratamento caminham juntos”, afirma Pereira.
A iniciativa da JMN busca, dessa forma, ampliar a conscientização sobre a importância do acompanhamento emocional entre aqueles que estão envolvidos diretamente no trabalho missionário. A intenção é que a prevenção deixe de ser acionada apenas diante de situações extremas e passe a fazer parte da rotina de cuidado.
Para Sandro, a responsabilidade não é apenas individual. A comunidade cristã também tem papel importante na identificação de sinais de sofrimento e na construção de redes de apoio. “Como Igreja, somos chamados a caminhar juntos, levando os fardos uns dos outros e lembrando que ninguém precisa enfrentar a dor sozinho”, afirma, citando o princípio apresentado pelo apóstolo Paulo em Gálatas 6:2: “Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo”.
A orientação vale para quem atua no campo missionário e também para qualquer pessoa que perceba mudanças significativas no comportamento de alguém próximo. Aproximar-se, ouvir com atenção e incentivar a busca por ajuda podem ser atitudes importantes diante de um período de sofrimento.
“Se você conhece alguém que está passando por um momento difícil, aproxime-se. Escute. Caminhe ao lado. E, quando necessário, incentive essa pessoa a buscar ajuda profissional”, aconselha.
A campanha reforça uma perspectiva de cuidado que ultrapassa as atividades ministeriais. Para a JMN, cuidar daqueles que cuidam de outras pessoas também é uma forma de preservar vidas, fortalecer relacionamentos e oferecer suporte a quem muitas vezes está acostumado a ocupar o lugar de quem acolhe. “Uma conversa acolhedora pode ser o começo de um novo caminho”, conclui Sandro.

